sexta-feira, 2 de maio de 2008

Do [meu] desejo.

Eles me dizem tudo o que eu quero escutar. Eles me procuram e esperam de mim aquilo que eu não posso dar, ou subconscientemente, não quero mesmo dar, o que de fato torna tudo amargamente intrigante. A sofridão da oferta/procura de sentimentos é uma política de mercado muito injusta, a procura é incessante e quanto a oferta diminui cada vez mais, à medida que o tempo e a necessidade do individualismo cresce. A oferta é o cúmulo do abstrato. Ela muda constamente. A oferta é o sonho inatingível dos sozinhos de alma. Mas pensando bem pouco me importa a política em suas várias formas, quanto mais a de mercado.
O jogo do amor, é um jogo incansável. É um jogo que move grandes máquinas, vidas, dinheiro, poder. Quem sabe jogar, definitivamente tem o poder. E esse é o porquê de tudo isso, de uma forma bem particular. O poder torna-se divertido de começo e quando se tem muito dele, ele entorna sua crueldade muito tentadora, e acaba aflingindo a quem a possui, e no final esse mesmo poder acaba por transformar-se em um grande e vazio poço de nada. Um grande poço de nada. Entao, de que adianta tanto poder sobre as outras almas para tornar-se, num desgastoso final, num poço de nada?
Eles me dizem tudo o que eu quero escutar. Eles querem acima de tudo, todo o poder sobre mim, mas eles que tenham, não me importa, no desgastoso final eles não terão nada mesmo.
Existe na vida, esse grande abismo desorganizado, uma sabedoria embutida em todas as pequenas coisas que nos inspiram. A que me mais me inspira nesse momento talvez seja eu mesma, o meu labirinto de idéias, meu instinto avassalador por ser eu mesma, meus desejos mais soturnos envolvidos por uma delicadeza que eu não sei se quer explicar, dentro de mim habita um mundo desconhecido, um minuto em minha pele são velhos séculos de escuríssima doçura.

Nenhum comentário: