sexta-feira, 2 de outubro de 2009

Pode ser?.

Acabei de ler minhas confissões desse blog inteiro. A vida é cíclica, um vai e vem interminável. Uma sensação gostosa de coisas novas, problemas, pessoas, pessoas.. aaah meu Deus como é possível tanta explosão de vidas numa só passagem intrínseca pelos rastros do tempo?! Viver dá calos, calafrios, ruguinhas, ponta pés, giros, cicatrizes.

Ui ui ui.

Eu vivo tanto. Vivo meia-boca, vermelha, às vezes bege, nunca verde, nunca morna. Quando dou por mim sou mais aquilo que achei que fosse!

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

vá-te!!!!!!!!!!!

pouso a mão no teu peito

mapa da navegação
desta varanda

hoje sou eu que
estou te livrando
da verdade

*

nesta varanda descoberta
a anoitecer sobre a cidade
em construção
sobre a pequena constrição
no teu peito
angústia de felicidade
luzes de automóveis
riscando o tempo
canteiros de obras
em repouso
recuo súbito da trama

*

quando entre nós só havia

uma certa
a correspondência
completa
o trem os trilhos
a janela aberta
uma certa paisagem

sem pedras ou

sobressaltos

meu salto alto
em equilíbrio
o copo d’água
a espera do café

domingo, 23 de agosto de 2009

é fato

todo pensante assumido, peca pelo excesso.

one kiss


que tivesse um blue.
Isto é
imitasse feliz a delicadeza, a sua,
assim como um tropeço
que mergulha surdamente
no reino expresso
do prazer.
Espio sem um ai
as evoluções do teu confronto
à minha sombra
desde a escolha
debruçada no menu;
um peixe grelhado
uma água
sem gás
de decolagem:
leitor embevecido
talvez ensurdecido
"ao sucesso"
diria meu censor
"à escuta"
diria meu amor

sábado, 22 de agosto de 2009

o que eles não entendem...

Por muito tempo achei que ausência é falta.
e, lastimava, ignorantemente a falta.
hoje não lastimo mais.
Não existe falta na ausência
Ausência é um estar em mim.
E a sinto tão apegada, aconchegante nos meus braços
Que rio e danço, e invento exclamações alegres!
Porque a ausência, a ausência assimilada...
ninguem rouba mais de mim.

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Im ready for my close up.

Gosto dos livros mofados, com manchas de café e uma folha seca que marca uma página pela metade.
Gosto de sentir todas as experiências que me permitem sentir.
De mergulhar em mantras e repetir palavras que não entendo, mas que me fazem bem, e repetir, repetir, repetir, repetir...
Queria escrever coisas mais universais, mas só saem coisas de mim. Isso é um sinal de egoísmo doentio.
Sinto muito por tudo e por todos, sinto demais.. queria sentir menos.
Não gosto e tenho enjoo desses relacionamento mornos.
Me sinto enjoada.
Gosto dessas gotas de chuva que caem macias no vidro da janela, que me convidam a preguiçar e esquecer tudo lá fora.
Gosto do cheiro que me trazem as lembranças, e das lembranças que me trazem os cheiros.
Gosto de tudo que passei, porque me faz querer mais...
Gosto do que conheci, do que vi, de quem eu tive, de quem eu tenho, porque me fez assim.

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Sete Chaves


Vamos tomar chá das cinco e eu te conto minha
grande história passional, que guardei a sete chaves,
e meu coração bate incompassado entre gaufrettes.
Conta mais essa história, me aconselhas como um
marechal do ar fazendo alegoria. Estou tocada pelo
fogo. Mais um roman à clé?
Eu nem respondo. Não sou dama nem mulher
moderna.
Nem te conheço.
Então:
É daqui que eu tiro versos, desta festa – com
arbítrio silencioso e origem que não confesso –
como quem apaga seus pecados de seda, seus três
monumentos pátrios, e passa o ponto e as luvas.

quinta-feira, 25 de junho de 2009

Machadiana

A manhã era linda.
Veio ali por fora (pela fresta), modesta e fresca.
Espairecendo minhas borboletices sob a vasta cúpula de um céu azul, que é sempre azul, para todas as asas.
Passa pela minha janela, entra e dá comigo.

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Assim, pela metade...

Às vezes não vale a pena mergulhar em tanta certeza.
É mais fácil fingir que foi um subplano do destino pra mostrar coisa alguma.
Quero fugir de qualquer vulnerabilidade de sentimento mesquinho.e atiçar a bondade dos acasos.

É cedo demais pra descobrir certas coisas, e muito tarde pra perceber outras.

Deuss, queria um pouco de normalidade, será que é possível?
E ah, umas rosquinhas também, enquanto espero.

terça-feira, 28 de abril de 2009

Distraction is an obstruction for the construction.

Quando a vida transborda as palavras cessam...

e a inspiração escapa.

domingo, 29 de março de 2009

Ao dormir sonho colorido. E de quantas cores seus sonhos são feitos? De todas e além, algumas se misturam e se confundem, outras de tão belas deixam de ter nome.
Deixa de besteira!
E quando acordo sonho de olhos abertos.
Até parece que você quer dormir do avesso.
E como é? é preciso ter coragem, afinal, sonhar no mundo das engrenagens é inevitavelmente parte de nossas sandices cotidianas. E qual a diferença de sonhar acordado ou de olhos abertos para o lado de dentro? A grandeza do sentimento.

Abstrações.



you know... we want our film to be beautiful, not realistic.

pshi.
I'm so touched by your goodness
you make me feel so criminal.
I've explored you with the detachment of an analyst
and none of our secrets are physical.
it's like we weren't made for this world
no, I wouldn't really want to meet someone who was.
I'm just not available
things could be different
but they're not

quarta-feira, 11 de março de 2009

Petits Sons Appétissants

Na playlist muito thee, muito barulho, muito descompasso pra acalmar o coração.
O desespero sonoro trás força, tudo muito waaaiow, quacks, guturalmente falando.
Hoje aprendi a tomar chá de alfazema sem açúcar.
Aprendi a fazer a unha.
Baloons, baby, probably, bubbles, e balabras terabeuticas.
A lua faz tudo ser imenso em mim.
As pessoas chegam, chegam... querendo o quê necessariamente?
Depois elas voltam de onde vieram com o rabo entre as pernas, ilusões demais, vida de menos.
Todos os clichês no final viram tão verdadeiros.
Todos os clichês que eu necessito e preciso dizer que são só ‘clichês’ vêm à tona, pois tudo na verdade é tão clichê.
É uma regra: acredite nos clichês.
As velhas histórias se repetem, e não tem como fugir disso.
Aaaaai como a vida é óbvia!!!

terça-feira, 3 de março de 2009

Vou continuar, é exatamente da minha natureza nunca me sentir ridícula, eu me aventuro sempre, entro em todos os palcos...
Sou composta por urgências: minhas alegrias são intensas; minhas tristezas, absolutas. Me entupo de ausências, me esvazio de excessos. Eu não caibo no estreito, eu só vivo nos extremos.
Aceitar-me plenamente? É uma violentação de minha vida. Cada mudança, cada projeto novo causa espanto: meu coração está espantado. É por isso que toda minha palavra tem um coração onde circula sangue. (Um sopro de vida)

Usually when things has gone this far..

umbigo:
entremeio obscuro
furo
entre fenda e seios
senda
da sua libido
vereda
em que passeiam
língua e dedos
orifício
que permeia
o desejo
poço
a um passo
de meu sexo.

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Aqui nesse quarto fito curiosamente, no apertar de olhos, as margens da minha sombra borradas de vodka... me sinto elegante e febril como uma serpente pronta para dar o bote.
Observo meu reflexo roxo e apagado tropeçar em uma parede e mudar de tom. Azul, rosa, roxo de novo.
E existo mais em dias rasos assim, na minha imensa fragilidade, no atrito de cinco mil sentidos... Ninguém me rouba a solidão.
Ouço uma música baixinha, um barulhinho bom.
Passo delicadamente minha mão por essas teclas e não abuso.
Não assumo mais do que meus dedos podem sustentar.
Ando na ponta dos pés, grafo com a ponta das unhas e aponto meus dedos direcionando silêncios, não quero assustar os termos.

domingo, 15 de fevereiro de 2009

Silence

"Esteja alerta para a regra dos 3

O que você dá, retornará para você

Essa lição você tem que aprender

Você só ganha o que você merece"

São nos momentos de fragilidade que você descobre seus anjos sem asas, são nesses momentos que você descobre quem vai com você até o final (do tormento), que você descobre o porquê de um dia depois do outro, e lembra do orgulho que você esqueceu, do que deixou de proporcionar às pessoas porque estava tão vulnerável.

Uma vontade de se trancar em um quarto e deixar que ninguém se contagie com suas últimas experiências fracassadas, com a esperança jogada ao poço; Ninguém é dono dos meus problemas, nem eles são donos de mim.

Então por teimosia meus anjos se deixam contagiar pelos problemas, pra compartilhar tudo comigo, num ato quase santo.
São meus anjos sem asas.

Sabem que eu não posso dar nada em troca, porque há uns meses eu estou vazia e à flor da pele, não sou a de antes. Machucada na alma.

É aí que elas sugam tudo que me aflige, e depois me preenchem de mim mesma, me tiram as vendas dos olhos, me devolvem à mim mesma. Me fazem sentir o gosto de uma boa cerveja, o som de uma boa música, me fazem rir como nunca, até a barriga doer e os olhos chorarem (de coisas boas).

São meus anjos sem asas.

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009


É coisa de mulher...

Ter um amigo que diz te consolar mas que na realidade quer te comer, ter um amigo gay que te console e não queira te comer, ter algum prendedor de cabelo que dure mais de 3 meses sem sumir misteriosamente, conseguir andar de salto alto, saber dos seus ângulos mais atraentes e fingir que não sabe o que tem de mais bonito no corpo, sentir ciúmes e fingir não ter, sentir ciúmes e brigar por ter, escrever textos dramáticos ‘Ó destino cruel! Por que eu sinto tanto?’.

É ter desejos incontroláveis por comidas extremamente estranhas, ter vícios periódicos por coisas não-notáveis, esquecer o guarda chuva em todo lugar que vai, é todo santo dia estar num Bad Hair Day, é chorar por alguém e dizer pra Deus e o mundo que você nunca seria boba de chorar por ninguém, ter raiva de dizerem que é sexo frágil mas bem no fundo admitir que isso é verdade. Ter tpm (uma desculpa pra extravasar) e chorar horas a fio sem saber porquê e por quem, dizer muito e não falar nada, falar pouco e dizer muito.

Se sentir igual ao resto do mundo, é surpreender, ser sensitiva e saber que isso é um dom forte, ser menina pra sempre, ter nostalgias, pipoca, filmes e amigas, ter baixa imunidade, ouvir músicas que arrepiam, sentimentos que dão dor na barriga, saber que se tem o poder, saber que se tem, que se pode ou não dar, que se gera um ser humano e ter a decisão de querer ou não ter, brincar com o sentimento de poder só pra ser mulher. Ser mulher enfim, é uma vida lindamente condenável, uma vida de rosas e espinhos, é uma vida de mulher e é só uma, é só essa aqui.


Texto escrito com os conselhos da Débora, minha amora e amiga sempre.

sábado, 7 de fevereiro de 2009

I am everyone`s 2nd plan. (but i`ve got mine).

‘O amor é uma espécie de preconceito. A gente ama o que precisa, ama o que faz sentir bem, ama o que é conveniente. Como pode dizer que ama uma pessoa quando há dez mil outras no mundo que você amaria mais se conhecesse? Mas a gente nunca conhece.’

sexta-feira, 14 de novembro de 2008


'Gosto dos venenos mais lentos
dos cafés mais amargos
dos doces mais azedos
das bebidas mais fortes
das músicas mais estranhas
das frutas mais verdes
das ironias mais finas
das conversas mais lúdicas
das dores mais amenas
e tenho apetites vorazes
por saudades profundas
por causas perdidas
por distâncias inalcançáveis
eu sonho os delírios mais soltos
os sonhos mais loucos que há
e sinto uns desejos vulgares de
navegar por uns mares de lá
Você pode ate me empurrar de um penhasco que eu vou dizer:
E daí?! Eu adoro voar!'
Lispector.

sexta-feira, 31 de outubro de 2008

pensamento.

O pensamento cognitivo? É mais um rito de passagem.
Neblina mental.
Sexo mental.
O beijo e a anestesia.
Manchas na epiderme.
Olhos como pétalas de papoula.
Luvas de cetim amarelado destoando a imagem escurecida do quarto de poeira e talco.
Tudo o que é vivo, que precisa de mais que um sorriso para estar vivo, movimento semi-preditado, será que vale?
Viver é instinto, uns me dizem.
Um ser onipotente, onipresente, que nunca vimos, criador do "nada é nada e cala a boca", Deus.
Toque macio.
Toda a noite a mesma sombra.
Saudade?
Muita.
Longe disso, longe de tudo.
Quanto mais eu sinta,
Quanto mais eu sinta com várias pessoas,
Quanto mais personalidades eu tiver,
Quanto mais intensamente, estridentimente as tiver,
Quanto mais simultaneamente sentir com todas elas,
Quanto mais unificadamente diversa, dispersadamente atenta, estiver, sentir, viver, for,
Mais possuirei a existência total do universo,
Mais completa serei pelo espaço inteiro fora.

domingo, 26 de outubro de 2008

boom.

O céu cobre o mundo e não protege ninguém.
Os dias comen uns aos outros. São engolidos rápido demais para minha memória captar.
Debaixo dessa cama de ossos eu sinto as palavras pulsando e se debatendo para sair. Estão cansadas de tanta colisão, cansadas de serem escravas de meus comentários vagos e cansadas de existirem em um ritmo frenético apenas para serem sedadas, carimbadas e engavetadas mesmo antes de brotarem na língua, antes do fim.

Não tenho medo do fim, esse treco-inonimável-que-me-leva-para-o-outro-lado.

A morte não vem ao caso, ela nunca é o caso. Seria um desfecho simplório para uma história tão intensa. A morte não machuca o suficiente, dura um segundo. É o que nao posso falar, não há nada a ser dito. Morrer... é engasgar?


’Oh não! E todo esse tempo eu pensava...’
Esse é o problema, você pensa. Deixa comigo, deixa eu ser sua vida inteira, sua cicatriz, deixa eu ser seus buracos. Posso te suspender no ar, abrir as cortinas, colorir a paisagem da sua janela, posso até serrilhar suas amarras. Vem, segura na minha mão!
It`s show time...

sexta-feira, 26 de setembro de 2008

alfazema.

Já entrei contigo em comunicação tão forte
que deixei de existir sendo.
Tu tornas-te um eu.
É tão dificil falar e dizer coisas que nunca podem
ser ditas.É tão silencioso.
Como traduzir o silêncio do encontro real,
entre nós dois.
Dificílimo contar:
Olhei para você fixamente por uns instantes.
Tais momentos são o meu segredo.
Houve o que se chama de comunhão perfeita.
Eu chamo isso de estado agudo de felicidade.

sábado, 16 de agosto de 2008

Hilst hilst.

"não compreendo o olho e tento chegar perto.
Também não compreendo o corpo, essa armadilha, nem a sangrenta lógica dos dias, nem os rostos que me olham nesta vila onde moro, o que é casa, conceito, o que são as pernas, o que é ir e vir, para onde Ehud, o que são essas senhoras velhas, os ganidos da infância, os homens curvos, o que pensam de si mesmos os tolos, as crianças, o que é pensar, o que é nítido, sonoro, o que é som, trinado, urro, grito, o que é asa hein? Lixo as unhas no escuro, escuto, estou encostada à parede no vão da escada, escuto-me a mim mesma, há uns vivos lá dentro além da palavra, expressam-se mas não compreendo, pulsam, respiram, há um código no centro, um grande umbigo, dilata-se, tenta falar comigo, espio-me curvada, winds flowers astonished birds, my name is Hillé, mein name madame D, Ehud is my husband, mio marito, mi hombre, o que é um homem?"

"Agora que estou sem Deus posso me coçar com mais tranquilidade."

"Iniciei mil vezes o diálogo. Não há jeito./ Tenho me fatigado tanto todos os dias/Vestindo, despindo e arrastando amor/ infância/sóis e sombras./ Vou dizer coisas terríveis à gente que passa./ Dizer que não é mais possível comunicar-me./ [Em todos os lugares o mundo se comprime.]/ Não há espaço para sorrir ou bocejar de tédio./ As casas estão cheias. As mulheres parindo sem cessar,/Os homens amando sem amar, ah, triste amor desperdiçado/ Desesperançado amor... Serei eu só/A revelar o escuro das janelas, eu só/ Adivinhando a lágrima em pupilas azuis/Morrendo a cada instante, me perdendo?/ Iniciei mil vezes o diálogo.Não há jeito./Preparo-me e aceito-me/ Carne e pensamento desfeitos. Intentemos,/ Meu pai, o poema desigual e torturado./ E abracemo-nos depois em silêncio.Em segredo./"


"Isso de mim que anseia despedida
(Para perpetuar o que está sendo)
Não tem nome de amor. Nem é celeste
Ou terreno. Isso de mim é marulhoso
E tenro. Dançarino também. Isso de mim
É novo: Como quem come o que nada contém.
A impossível oquidão de um ovo.
Como se um tigre
Reversivo,
Veemente de seu avesso
Cantasse mansamente.
Não tem nome de amor. Nem se parece a mim.
Como pode ser isso? Ser tenro, marulhoso
Dançarino e novo, ter nome de ninguém
E preferir ausência e desconforto
Para guardar no eterno o coração do outro."

" Te amo, vida, líquida esteira onde me deito."

quarta-feira, 30 de julho de 2008

Aaaah!

Estou cheia de vida. Se vivo muito ou pouco, não me importa. Eu vivo intensamente. Gosto de pessoas cheias de paixão, que sentem tudo de um modo quase exagerado, que amam e odeiam com todas as forças. Eu sou assim. E gosto também de ser assim.
Gosto porque às vezes me liberto de tudo o que é preto e sou vermelho vivo. Nestes dias gosto do meu sorriso. Sinto-me invadida por uma força infantil e uma vontadade de rir, porque simplesmente me sinto livre. Sei que posso fazer o que eu quiser. As minhas asas estão mais abertas e coloridas que nunca. Atravesso a ponte com um sorriso interior, porque olho os carros passar, sei que posso me atirar e simplesmente não quero. Tenho o destino em minhas mãos e opto por viver. Eu quero viver.
Entro em casa e tomo um banho gelado... sinto-me extramamente viva. Vôo em circulos dentro do meu quarto, ao som de uma música que me dá vontade de cada vez girar mais rápido, de gritar e depois cair encima da cama, e ficar balançando as pernas no ar.

Nada do que faço tem sentido e isso é tão bom; Não me preocupo com a lógica das coisas, as mais interessantes nunca têm lógica.

Flex

Palavras preferida? "Flexibilidade". Adoro: fle-xi-bi-li-da-de. Só de falar, já é flexível. Fle-xi-bi-li-da-de. Devia ser uma regra aqui em baixo: ser flexível com as pessoas, com os amigos e a família, com as opinões alheias e próprias, ser flexível com os planos. Ter o corpo flexível. Por que às vezes é tão difícil? Por que essa rigidez toda? Por que flexibilidade é sinônimo de fragilidade em certas horas? Quando foi a ultima vez que convidou tua alma para uma yoga?

Brrrr.

Adoro inverno, mas tem coisas que acabam tornando essa simpatia um porre! Como sentar na privada para fazer xixi de manhã cedo. O homem é capaz de clonar ovelhas e não inventa uma privada com aquecedor. E deitar na cama? Camas deveriam possuir um colchão quentinho. Odeio aqueles minutos intermináveis entre o frio e o quente, ficar com os pés apertadinhos e não poder desdobrar as pernas. Descobri que sempre desejo o quente. Odeio cama morna. Rejeito relacionamentos mornos. E eu sabe... ainda espero a invenção do colchão aquecido.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

she`s intoxicated by herself.

Como se faz quando a pessoa que mais te faz mal é a mesma que te reflete no espelho?







Little boy, stop knocking on my door... I`m too dangerous to be loved.

terça-feira, 27 de maio de 2008

12 meses.

Me pego desejando coisas proibidas nos sonhos,
saboreando chantilly com açaí,
me abraçando com você num aconchegante pôr de sol,
doces misturas aparentemente imiscíveis
mas que de alguma maneira se completam
em sabores, formas e sensações
alguma coisa premeditada,
a vida se movia
e só a gente não acreditava

agora as palavras escorrem de mim,
alguma coisa a ver com as misturas de cores
da pintura de fim de tarde no céu,
alguma coisa a ver com o abismo azul do seus olhos,
alguma coisa a ver com sentimentos exagerados e atitudes quase inexistentes.
Jorram de mim esses vícios,
esses de que tão necessários, se tornam vitais.

quinta-feira, 22 de maio de 2008

Devaneios de uma rapariga

Observo imune à cada palavra que surge em minha cabeça, todas elas são voláteis e extra-abstratas. Coloco aqui as que ficam.
Lá fora outono, aqui dentro inverno.
Lá fora amores, aqui dentro indiferença.
Meço as feridas quase cicatrizadas, mas que ainda doem.
Lá fora música, aqui dentro ecos.
Lá fora vida, aqui dentro sonhos.
Quebro um salto alto, alargo um decote, misturo perfumes, rasgo cartas, dobro as peças de roupa, desafino o violão, leio dicionários, jogo fora os papéis da gaveta, rego flores com gasolina, conto mentiras ao espelho, vejo filmes repetidos, mesma música, mesmos acordes, um pouco mais de Hershey`s, pouco menos de vodka, Pringles sempre, gelos de côco com whiskey, cigarros mal fumados, balas de hortelã, peças comestíveis, um babydoll de algodão, livros mofados, muitos deles, o telefone toca, não atendo, não arrisco, escrevo, escrevo e escrevo.
Pronto, fuga bem sucedida.

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Do [meu] desejo.

Eles me dizem tudo o que eu quero escutar. Eles me procuram e esperam de mim aquilo que eu não posso dar, ou subconscientemente, não quero mesmo dar, o que de fato torna tudo amargamente intrigante. A sofridão da oferta/procura de sentimentos é uma política de mercado muito injusta, a procura é incessante e quanto a oferta diminui cada vez mais, à medida que o tempo e a necessidade do individualismo cresce. A oferta é o cúmulo do abstrato. Ela muda constamente. A oferta é o sonho inatingível dos sozinhos de alma. Mas pensando bem pouco me importa a política em suas várias formas, quanto mais a de mercado.
O jogo do amor, é um jogo incansável. É um jogo que move grandes máquinas, vidas, dinheiro, poder. Quem sabe jogar, definitivamente tem o poder. E esse é o porquê de tudo isso, de uma forma bem particular. O poder torna-se divertido de começo e quando se tem muito dele, ele entorna sua crueldade muito tentadora, e acaba aflingindo a quem a possui, e no final esse mesmo poder acaba por transformar-se em um grande e vazio poço de nada. Um grande poço de nada. Entao, de que adianta tanto poder sobre as outras almas para tornar-se, num desgastoso final, num poço de nada?
Eles me dizem tudo o que eu quero escutar. Eles querem acima de tudo, todo o poder sobre mim, mas eles que tenham, não me importa, no desgastoso final eles não terão nada mesmo.
Existe na vida, esse grande abismo desorganizado, uma sabedoria embutida em todas as pequenas coisas que nos inspiram. A que me mais me inspira nesse momento talvez seja eu mesma, o meu labirinto de idéias, meu instinto avassalador por ser eu mesma, meus desejos mais soturnos envolvidos por uma delicadeza que eu não sei se quer explicar, dentro de mim habita um mundo desconhecido, um minuto em minha pele são velhos séculos de escuríssima doçura.

segunda-feira, 24 de março de 2008

Prelúdios - intensos para os desmemoriados do amor.

I

"Toma-me. A tua boca de linho sobre a minha boca
Austera. Toma-me AGORA, ANTES
Antes que a carnadura se desfaça em sangue, antes
Da morte, amor, da minha morte, toma-me
Crava a tua mão, respira meu sopro, deglute
Em cadência minha escura agonia.

Tempo do corpo este tempo, da fome
Do de dentro. Corpo se conhecendo, lento,
Um sol de diamante alimentando o ventre,
O leite da tua carne, a minha
Fugidia.
E sobre nós este tempo futuro urdindo
Urdindo a grande teia. Sobre nós a vida
A vida se derramando. Cíclica. Escorrendo.

Te descobres vivo sob um jogo novo.
Te ordenas. E eu deliquescida: amor, amor,
Antes do muro, antes da terra, devo
Devo gritar a minha palavra, uma encantada
Ilharga
Na cálida textura de um rochedo. Devo gritar
Digo para mim mesma. Mas ao teu lado me estendo
Imensa. De púrpura. De prata. De delicadeza.

II

Tateio. A fronte. O braço. O ombro.
O fundo sortilégio da omoplata.
Matéria-menina a tua fronte e eu
Madurez, ausência nos teus claros
Guardados.

Ai, ai de mim. Enquanto caminhas
Em lúcida altivez, eu já sou o passado.
Esta fronte que é minha, prodigiosa
De núpcias e caminho
É tão diversa da tua fronte descuidada.

Tateio. E a um só tempo vivo
E vou morrendo. Entre terra e água
Meu existir anfíbio. Passeia
Sobre mim, amor, e colhe o que me resta:
Noturno girassol. Rama secreta.
(...)
(HILDA HILST)

sábado, 15 de março de 2008

Atempo

O que seria bom mesmo é que todas minhas desesperadas ondas psico-sonoras atravessassem todo o meu orgulho por entre essas casas e chegassem até você com a mesma força dilacerante de que saem de mim. Elas clamam por liberdade.
Dentro desses dias desabitados há um cálido desejo de quebramos cada resquício de rotina nas ações diárias, há um desgostoso jeito de enxugar as lágrimas que não deixamos cair, uma sutil maneira de deixar os encontros na mão da roda viva. Existem vários truques de tapear o medo de errar, truques que cegam e neutralizam as possibilidades do tentar.
pare de arrastar a vida meu amor; coloque nela sua fúria; limpe toda a poeira de indecisão; deixe de ser preto luto e seja intensamente vermelho; suplique pela vida, mas por favor, não morra desse jeito por ela, não desse jeito..

segunda-feira, 10 de março de 2008

Lispector. Clarice.

“...escrevo-te toda inteira e sinto um sabor em ser e o sabor-a-ti é abstrato como o instante. É também com o corpo todo que pinto os meus quadros e na tela fixo o incorpóreo, eu corpo a corpo comigo mesma. Não se compreende música: ouve-se. Ouve-me então com teu corpo inteiro. Quando vieres a me ler perguntarás por que não me restrinjo à pintura e ás exposições, já que escrevo tosco e sem ordem. É que agora sinto necessidade de palavras - e é novo para mim o que escrevo porque minha verdadeira palavra foi até agora intocada.
A palavra é a minha quarta dimensão.
.."

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

the killing moon.

A lua volta e meia faz isso; torna-se inteira e implacável. Nessas horas não há tristeza que se aguente em pé, nem a apatia da eternidade diz alguma coisa, fica parada, hipnotizada por sua dança de retalhos. Ela demonstra solidez, isso é importante. Totalmente real e exata, uma doce imagem calva e sem face. À flor da pele, despida de qualquer pele.

Fitando-a assim, não preciso tentar fazer sentido. Posso olhar e ser, sem passado ou futuro, sem ter que definir os milhares fios de pensamentos que me invadem.
Pega-me de surpresa, a lua puta.

Eu posso fazer tudo, estou quase lá e nao chego, não volto, mal estou aqui. Você sente minha falta? Um dia desses retornarei, você vai saber, vai poder ver, sentir, tocar; agora por enquanto, a redoma me aquece mais. A apatia não é somente indiferença, é também autopreservação. Eu sei que me repito demais, mas essa é a única forma de entendimento, às vezes preciso bagunçar alguns pedaços do passado para ter algum futuro.
Mas enquanto isso, por favor, me poupe de sua indecisão...

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

today fucked by time.

Céu. Desabitado. Frágil, de uma fragilidade quase sepulcral, céu vertical. A lua se parte em minúsculas fagulhas de luz e me deixa aqui, silenciosa e fragmentada. Na ponta da boca, sinto meus lábios ásperos como a pele de um kiwi prematuro.
Olho para o relógio e não entendo sua mensagem, posso olhar para ele a vida inteira, mas a mensagem me escapa; nunca pára de mudar.
A vida podia ser bem menos óbvia...

disappearer.

Eu fico aqui, mas não estou.
Espero. Não volto.
Sussurro mentiras para um copo vazio na mesa de jantar.
Enfio as unhas na parede, mas ela não cede.
Idiota.
Respirar parece tão fácil, porque todo resto não pode ser também?

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

don`t hit the alarm.

Não sigo regras, não durmo com travesseiro, de nada sei sobre a cama viva ou sobre a solidão do sol. Adoro matar flores, elas nunca se machucam. O mundo só faz sentido entre os pontos de cada frase que nunca termino. Essas frases nao têm gosto, não se eternizam como música, não sobrevivem ao inverno. Eu sei que raramente sofrem a dor do respirar, nem choram quando nascem... Assim como peixes ou a lua.

Não sei porque insisto em falar de mim, estou ausente e só o papel fala comigo.
Estrela negra nesse ceu invisível. Quero te ver novamente, mas você diz ser impossível, e o tempo corre. Vejo sombras fugindo do que eles nem sabem se virá. O vento assobia, chamando meu nome.
Você ainda sente?

Não sigo regras, sempre esqueço a chave de casa, perco celulares, nunca arrumo meu quarto. Não entendo mais as coisas que escrevi aqui. Odeio saber a razão, odeio todas as fotos... Mas, me olhando no espelho toda descabelada e com a testa franzindo de concentração, até que é um pouco engraçado, então não entendo porque estou com essa vontade de chorar.

quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

past masters.

não mais que janeiro
serei forte.
só saberei de mim domingo,
depois do sorvete.
aí então caminharei
pelas segundas,
quando das feiras
só restarem folhas de repolho
e sobra de frutas pelo chão.

não mais saberei de ninguém
enquanto houverem sinos
anunciando algum início.
no sábado ou em dezembro
seremos novos,
mesmo que pareça
tudo sempre tão igual.